Religião e Super-heróis

Se a Bíblia prova que Deus existe, quadrinhos provam que super-heróis existem? Confira nossa resposta e ainda conheça a religião dos super-heróis mais populares.

Caridade ATEA

Que direito tem a Associação Brasileira de Ateus e Agnósticos de criticar a caridade cristã? Conheça as raízes da prática da caridade e a diferença que isso fez para o Ocidente.

Inquisição Espanhola para leigos

Quão brutal foi o tribunal da Inquisição Espanhola? Descubra alguns fatos interessantes sobre um dos episódios mais lembrados da história do cristianismo.

Igreja e Ciência

Uma análise exaustiva da verdadeira história da relação entre o cristianismo e a ciência. Descubra quem foram os cientistas anteriores à revolução científica e como a Igreja fez parte dessa revolução.

Sobre índios, negros e escravos

A Igreja Católica dizia que índios e negros não tinham alma, e por isso permitiu que fossem escravizados? Descubra aqui por que isso não faz o menor sentido.

21 de novembro de 2012

A crença cotidiana #3

Agora, pois, esclareçamos melhor o que foi dito: a questão é o labirinto e o labirinto esconde a verdade, que é a saída. Mas o labirinto só possui uma saída, e falhar nos desafios que ele reserva - as verdades menores que nos levam à verdade ultima - é estar fadado a nunca chegar à saída ou, no mínimo, atrasar o encontro com a liberdade, que é ter a resposta final. Muitos são os motivos que podem nos fazer desistir desta busca pela resposta: o labirinto pode nos vencer pelo cansaço, uma vez que pode ser mais vasto do que nossa mente consiga conceber; pode nos vencer pelo medo, pois muitos perigos podem estar contidos na sua imensidão; e pode nos vencer pela superioridade, pois mesmo um enérgico e destemido cavaleiro pode não ser tão astuto a ponto de resolver cada enigma que abre uma pequena porta, mas sem a qual não se chega à porta final.
O labirinto, ora, mostrará que seu mistério possui várias chaves, mas todas igualmente difíceis de serem encontradas. Os que de lá saírem testemunharão que a chave estava dentro deles, pois também o labirinto estava dentro deles, e não o contrário. Mas quantos homens terão parado para ouvir o que diz o próprio coração? E ainda que parassem, bem sabem que o coração também se engana. O destino poderia levá-los, de alguma maneira, a um triste fim. Porém, a saída não é um lugar. Como já foi dito, é uma resposta, e o coração que pela própria pureza fora conduzido aos lugares mais terríveis não se tornará terrível, mas tornará puro os lugares por onde passou, ainda que os olhos não sejam capazes de comprovar, permanecendo desacreditados. É verdade que o homem pouco sabe do seu próprio potencial, não?

Isso não é apenas uma coincidência irônica e aleatória: é, antes, a verdadeira expressão do ceticismo contemporâneo; possivelmente o primeiro ceticismo que não é cético. O ceticismo deixou de ser uma ferramenta que rompe a superficialidade das aparências para chegar ao fundo das questões e ao conhecimento pleno do fenômeno. Tornou-se, em vez disso, uma ferramenta que simpatiza com a superficialidade quando isso trás algum tipo de benefício. E o benefício se tornou a medida de praticamente todo o tipo de ceticismo que vemos nos livros antirreligiosos ou em artigos pseudocientíficos. O cético apresenta sua hipótese e a seguir expõe suas evidências até o ponto em que sua hipótese parece bem sustentada. Mas algumas evidências ele esconde, e algumas hipóteses ele sequer considera. Nesse processo, ele pode preferir uma hipótese absurda e ignorar a hipótese mais provável, porque o que é provável não lhe satisfaz, mas o que é absurdo parece ter sido feito sob medida para ele. Bom, neste caso, não só foi feito para ele: foi feito por ele, e ele sabe, como ninguém, o que ele deseja. 

Por fim, podemos chegar a uma conclusão: o homem que não questiona - que não se aventura no labirinto de dúvidas - nunca conhecerá a grandeza da ultima verdade, a peça final do seu quebra-cabeça. Mesmo o homem que souber qual peça que lhe falta não estará livre de escorregar em seu caminho. Será preciso ter fé, ter esperança e saber que não está no labirinto sozinho, pois ainda que não ouça passos nem sinta calor humano, ouvirá uma voz que fala direto ao seu coração, e por isso é preciso estar atento para poder decifrá-la. E esta voz o conduzirá à saída, e ela mesma será a saída, pois "conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará".

Duas de minhas postagens foram dedicadas a responder argumentos do sr. Daniel Fraga (Riqueza e religião; Brasil: terra dos palpiteiros #1), no entanto, ele tem se mostrado importante no promoção do combate às incoerências políticas brasileiras, o que me levou a ignorar seus vídeos antirreligiosos e focar no que é útil de alguma forma. O sr. Clarion é o mais moderado e divertido, especialmente pelo seu personagem que parece baseado em algum pastor ignorante - não o achei ofensivo pelo fato de que muitas das ideias expressas por esse personagem são bastante comuns, apesar de geralmente inconsistentes. Não sei o nome do vlogger do vídeo em resposta a Gary Yourofsky, que é o mesmo que citei no primeiro parágrafo, mas também o achei moderado e sensato, ao menos nos vídeos aos quais assisti.

Enfim, como havia dedicado uma série ao que há de ruim no pensamento ateísta de alguns brasileiros, achei que seria interessante fazer uma postagem para mostrar o que há de bom, e sustentar a ideia principal dessa postagem de que o ateísmo não é imoral - e nem poderia, já que o conceito de ateísmo não tem relação nenhuma com o conceito de moralidade. Não toquei na questão da moral objetiva em nenhum momento porque não pretendia lidar com esse problema nessa postagem, e por ser uma discussão irrelevante ao propósito dela.

O fato de os cristãos terem fé, hoje, numa religião fundada há dois mil anos é tão razoável quanto a crença de que homem pisou na Lua alguns anos atrás. Há quem diga que tratou-se de uma grande conspiração, há quem não saiba o que dizer, e há os que simplesmente acreditam: uns por humildade, outros por curiosidade excessiva, mas todos por, de modo geral, terem visto naquilo alguma razão.

O homem que descarta o cristianismo e o homem que o aceita decidem-se pela mesma razão. Um acha razoável aceitá-lo, enquanto o outro acha razoável rejeitá-lo, mas não é o que rejeita que está apto a dizer se é razoável aceitar, assim como não é o que aceita que pode dizer se é razoável rejeitar.

Ao contrário do vlogger que lançou o divertido desafio, eu não penso que o cristianismo é rozoável ao passo que o ateísmo não é. Eu penso que o ateísmo é tão razoável quanto o cristianismo, e se não fosse eu não suportaria ser cristão. O fato de a ciência não poder dizer se Deus existe tanto quanto não pode dizer que Ele não existe é o que torna a fé tão agradável aos meus olhos, pois a única coisa que a fé significa é liberdade. Se Deus se mostrasse a todos, crer em Deus não seria mais uma escolha. E, então, o cristianismo não seria mais baseado na razão, seria baseado no óbvio.


Referências:
  1. Ceticismo.net, "Hitler era ateu?", 20 de abril de 2010. Disponível em: ceticismo.net.
  2. Revista VEJA, "Como a fé resiste à descrença", 26 de dezembro de 2007. Disponível em: veja.abril.com.br.
  3. Mário Ferreira dos Santos, Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais, vol. 1, São Paulo: Editora Matese, 1963, págs. 255-8.
  4. G. K. Chesterton, Ortodoxia, trad. de Almiro Pisetta, São Paulo: Mundo Cristão, 2008, pág. 243.

18 de novembro de 2012

Alegria na floresta

Em todo romance genuíno há três personagens vivos e comoventes. Para o bem do argumento eles podem ser chamados São Jorge e o Dragão e a Princesa. Em todo romance deve haver os elementos gêmeos de amar e combater. Em todo romance deve haver esses três personagens: deve haver a Princesa, que é coisa a ser amada; deve haver o Dragão, que é a coisa a ser combatida; e deve haver São Jorge, que é a coisa que ao mesmo tempo ama e combate. Tem havido muitos sintomas de cinismo e decadência na nossa civilização moderna. Mas de todos os sinais da debilidade moderna, da falta de compreensão da moral como ela realmente deve ser, não houve nenhum tão bobo e tão perigoso quanto esse: que os filósofos de hoje começaram a separar o amor da luta e a os colocarem em campos opostos. [...] As duas coisas implicam uma à outra; elas implicaram uma à outra no antigo romance e na antiga religião, que eram as duas coisas permanentes da humanidade. Você não pode amar uma coisa sem querer lutar por ela. Você não pode lutar sem ter algo pelo qual se luta [1].

G. K. Chesterton.

Mais e mais tenho a impressão de que as pessoas falam de felicidade como algo que deve ser conquistado, e essa impressão sempre me deixa inquieto. Algumas vezes penso que as pessoas não sabem o que é felicidade; outras vezes sinto como se fosse eu quem não a conhecesse. Mas a razão pela qual fico inquieto não é a possibilidade de eu estar errado, mas as implicações que seguem o erro. Se a felicidade é uma conquista, então eu provavelmente não a conhecerei tão logo, pois eu não tenho me esforçado para conquistá-la. De fato, eu não sei sequer onde está o dragão que devo derrotar para que possa finalmente salvar minha princesa. 

Acredito em dragões e em princesas, e acredito principalmente que os dragões devem ser derrotados e que as princesas devem ser salvas. Minha objeção não está em nada disso. Simplesmente não acredito que a felicidade seja um prêmio ou recompensa pelo esforço do cavaleiro. Em outras palavras, acredito que os contos de fada terminam com a frase “felizes para sempre” porque seus personagens já eram felizes antes de todas as dificuldades, e continuaram felizes após as ter superado. As dificuldades da vida – as bruxas e os dragões – não são motivos de tristeza, e após o triunfo sobre elas a felicidade tem sempre um ar de novidade, como uma surpresa que apesar de conhecida torna ainda a surpreender e revigora os ânimos da vida cotidiana. 

Os cavaleiros são sempre corajosos e estão dispostos ao sacrifício, mas eu não vejo como essa coragem e essa disposição poderiam nascer da tristeza. A fonte dessas virtudes, obviamente, é o amor, e onde há amor há esperança, pois o amor vem sempre acompanhado de um ideal, e nenhum ideal pode ser alcançado sem esperança ou fé. O homem não pode fazer cálculos matemáticos e observações em laboratório para descobrir o dia em que irá se casar, nem com quem. Primeiro ele deve encontrar uma donzela e esperar que ela seja a donzela feita para ele, mas o fato é que ele nunca poderá ter certeza. Depois ele deve se ajoelhar diante dela e esperar ouvir a resposta desejada para a pergunta que ele esboçava desde sua infância, mas ele não terá certeza de que irá ouvi-la. E após atravessar toda uma floresta de monstros e armadilhas ele estará aguardando o momento em que poderá levantar o véu de sua amada, olhar em seus olhos com a pureza de uma criança e selar com um beijo a vitória sobre o dragão. Mas o que é necessário ser notado é que o mesmo caminho feito até a Igreja será novamente percorrido na volta para a casa: é necessário notar que nós estamos sempre atravessando a floresta. 

Os adultos costumam dizer que a vida não é fácil, mas eu dificilmente vejo adultos dizendo que a vida não deve ser vivida, ou que a sua dificuldade rouba-lhe a beleza. Uma coisa não é ruim porque é difícil, mesmo que pareça impossível. De fato, é mais provável que uma coisa seja ruim por ser fácil demais. E eu temo que em pouco tempo não possa mais dizer que os adultos não se entregam diante das dificuldades da vida, exatamente porque as novas gerações querem conquistar a felicidade: querem conquistá-la como se ela fosse um pote mágico de ouro que quando recebido acabará com todos os problemas. Pois é essa a noção de felicidade moderna: viver sem problemas. E porque é impossível não ter problemas algumas pessoas já espalham por aí que a felicidade não existe. 

Mas é claro que a felicidade existe: ela existe no coração confiante e esperançoso, disposto ao sacrifício, cheio de amor e coragem do cavaleiro. Ela pode ser muito bem definida como a soma desses elementos; como uma mistura das virtudes humanas e das virtudes oferecidas ao homem por Deus. E o produto dessa felicidade é a alegria, que não por acaso significa disposição. Já vi muita gente dizendo ser feliz, e ao ouvir algumas delas tive a impressão de que elas se sentiam obrigadas a dizer que eram felizes, como se autodeclarar-se infeliz fosse uma admissão de fracasso. E para elas realmente é, pois elas pensam na felicidade como uma conquista, e parece mesmo haver uma competição para conquistá-la o mais rápido possível e mostrá-la a quem ainda não chegou lá. E para isso posso apenas dizer que as coisas são muito mais fáceis para pessoas como eu, que pensam que a felicidade é um presente. Não é uma recompensa, pois recompensa significa reequilibrar e implica mérito. Mas a felicidade não surge de méritos e o homem que esperar ser feliz porque merece certamente acabará desesperado; o que é o caso do nosso tempo. 

Digo confiante que o momento em que um homem descobre que não pode conquistar a felicidade pelas suas próprias mãos é o momento em que ele realmente está pronto para começar a ser feliz: é o momento em que ele começará a sorrir para estranhos e olhar para o céu com gratidão, pois é nesse momento que ele encontrou a alegria, e só a encontrou porque alguém lhe mostrou onde ela estava. O cavaleiro deve ter encontrado a alegria antes de atravessar a floresta e antes de combater o dragão, pois assim poderá salvar a princesa e ainda agradecê-la por lhe ter permitido contemplar tamanha beleza após a vitória sobre algo tremendamente horrível. E o verdadeiro cavaleiro não tentará levar a princesa do castelo contra a vontade dela, mesmo que a tenha livrado de grandes perigos. Ele não irá cobrá-la por ter prestado um favor, e talvez ainda se ajoelhe diante dela por sentir-se honrado em ter lutado contra aquele monstro pela vida de alguém que torna o mundo mais belo.

Seria ainda razoável dizer que se o cavaleiro não tivesse encontrado a alegria antes de atravessar a floresta ele nunca tentaria atravessá-la. Um homem triste e deprimido nunca quer sair de casa. A aventura requer uma disposição para aventurar-se. Combater o dragão requer uma filosofia que permita ao cavaleiro encarar o dragão como outra criatura qualquer; uma criatura que é, como ele mesmo, mais frágil que o seu Criador. Refiro-me a uma filosofia em que é Deus quem cria o dragão, mas apenas para que o cavaleiro possa valorizar a princesa; uma filosofia em que é o cavaleiro quem derruba o dragão, mas apenas porque Deus é seu aliado.

E insisto que quando um homem desiste da ideia de que merece as coisas, mesmo as coisas pequenas serão apreciadas como dádivas divinas, e mesmo as grandes dificuldades não serão vistas como obstáculos ao amor divino. É verdadeiramente fácil admitir que devemos lutar por aquilo que amamos, e que o amor é provado nos sacrifícios da batalha. É tão fácil quanto admitir que a vida é difícil, ou nesse caso, um campo de batalha. Mas é um campo que poderia não estar ali, assim como o cavaleiro poderia não estar ali, e também a princesa poderia não estar ali. Me parece, no entanto, uma coisa boa que todos eles estejam ali, assim como pareceu uma coisa boa para Deus que o homem e a mulher estivessem no Jardim, e por isso sou grato. Eu entendo que as pessoas não compreendam por que Deus permitiria o dragão ou a serpente, e eu certamente não poderia explicar a real intenção. Mas para mim está muito claro que Deus quis deixar o homem livre para aventurar-se, livre para amar e combater: e para isso o dragão é realmente uma necessidade.

Gosto de imaginar que no momento em que o primeiro cavaleiro ouviu sobre o primeiro dragão ele pode ter sentido medo, mas então Deus cochichou no seu ouvido que era mais poderoso que o dragão, e lhe entregou uma espada para lembrá-lo de qual lado Ele estava: e essa espada era a alegria. Com ela o cavaleiro derrotou o dragão, salvou a princesa e voltou à Igreja, onde junto a outros cavaleiros agradecia por um presente singular, o próprio presente que tornava a alegria possível e sincera: o dom da vida. Pensei que uma boa frase para resumir a filosofia que tentei brevemente expor aqui seria “a vida é bela”, e de repente me lembrei do sacrifício de Guido Orefice, o cavaleiro que lutou pela coisa amada com uma alegria de outro mundo, e que de fato deve refletir a alegria de outro mundo, pois nem a própria morte é forte o suficiente para assombrá-la.


Referências:
  1. G. K. Chesterton, Appreciations and Criticisms of the Works of Charles Dickens. Londres: J. M. DENT & SONS, Ltd., 1911, págs. 27-8.

25 de outubro de 2012

Uma chance de diversão

Eu não sou o tipo de pessoa que tem o hábito de dizer coisas como "eu sou diferente" ou "só eu sou assim". Acredito, pelo contrário, que sou um tipo muito comum, e que o mundo esteja cheio de pessoas chatas como eu. Acredito também que, quanto mais uma pessoa insiste em suas diferenças, mais ela afirma o quão comum ela é.

Ninguém é diferente por ouvir Johnny Cash e estar rodeado de pessoas que só ouviram falar de Johnnie Walker; nem por saber que a Quinta Sinfonia é a quinta, e não nona. Suspeito que muita gente não saiba a diferença, mas ninguém é especial por sabê-la. E digo isso apenas para evitar a impressão de que eu esteja reclamando ao dizer o que direi, como alguém que se sente sozinho no mundo, como um alienígena que não é capaz de se sentir confortável próximo de humanos.

Pois é óbvio que o fato de a maioria de seus amigos não conhecer Chesterton ou Lewis não é motivo para se chatear com os seus amigos ou consigo mesmo. Há muitas pessoas no mundo que conhecem esses autores, e, mesmo que esse não fosse o caso, é sempre possível apresentá-los aos outros e esperar que disso surjam novas amizades.

A internet pode ser muito positiva nesse sentido, e para pessoas que acham divertido discutir as implicações do Pecado Original ou a ontologia do amor, a internet pode ser a praça que mesmo as cidades grandes não têm. A maioria dos meus amigos, quando se junta, não quer falar sobre essas coisas, e nem sequer pensa nessas coisas. E eu acho que é melhor que seja assim, pois não seria divertido discutir sobre esses assuntos a cada pequeno encontro, como é divertido discutir sobre música e as banalidades da vida pessoal. Além disso, para a minha sorte, alguns amigos meus nunca se importaram em discutir seriamente sobre religião ou filosofia.

Nem mesmo minha conversão foi um evento particular: meus dois melhores amigos se alistaram no exército cristão no mesmo dia em que eu me alistei - e hoje um deles me ajuda a levar esse modesto blog para frente. Isso é motivo de grande alegria para mim, justamente por ter sido uma alegria que eu podia compartilhar e que eles podiam entender.

Mas uma das maiores diversões da vida é o desafio, e para haver desafio é preciso haver desacordo: o desacordo entre a realidade como ela é e o ideal que se quer atingir. Obviamente, se você é cristão e deseja ver o mundo inteiro convertido é necessário ir ao encontro de quem ainda não abraçou o cristianismo. Por isso acredito, por mais estranho que isso possa parecer, que o ateísmo é uma oportunidade de divertir-se; uma chance única de aventurar-se; um desafio que todo cristão deveria encarar com um sorriso no rosto.

Quando um ateu diz um absurdo sobre a Igreja Católica ele nos dá uma irrecusável oportunidade de corrigi-lo. Pode ser muito frustrante ouvir algumas tolices que sabemos não ter o menor sentido, mas a frustração só será insuportável se a filosofia do amor aos inimigos for ignorada. E com isso não quero dizer que devemos aceitar tudo o que ouvimos como se toda a opinião fosse digna e merecesse algo além do desdém; pois é justamente quando há amor que sentimos um desejo inexplicável de corrigir o erro de quem amamos, ainda que isso exija uma mão firme ou mesmo dolorosa.

O que eu quero dizer é que, se a nossa filosofia nos adverte sobre pessoas tolas ou mesmo ingênuas que falarão contra a verdade todo o tipo de mentira, há a possibilidade viva de que entremos no campo de batalha com um sorriso no rosto, como um soldado que se lança ao meio de desconhecidos a fim de recrutar novos irmãos, em vez de transformar essa potencial irmandade em uma real arena de gladiadores - gladiadores que só deixarão suas armas quando seus inimigos estiverem no chão.

Ao escrever qualquer pequeno texto sobre o ateísmo, não fico pensando em escrever algo contra os ateus; na verdade gosto de pensar de que estou escrevendo algo a favor de ex-ateus, com uma vaga mas sincera esperança de que o que eu escrevo possa ajudar alguém a se interessar pelo exército em que eu sirvo, e talvez um dia se juntar a ele. Talvez se tratarmos os nossos inimigos como possíveis futuros companheiros de batalha, Deus nos recompensará com a espada da alegria: uma arma muito mais eficiente que qualquer ferro forjado pela amargura.

Se houver uma preocupação sincera, no sentido de prestar ajuda a quem precisa, todos os debates entre ateus e religiosos poderão terminar com um abraço, mas porque há, aparentemente, um cansaço e um descaso com a necessidade alheia, todos acabam sem nem mesmo um aperto de mãos. A paciência de nenhum ser humano é infinita, mas o que percebo é que muitas vezes não há mais qualquer esforço para ser paciente. As pessoas já estão cansadas antes mesmo de se mexerem, e justamente por isso qualquer simples caminhada tem levado à exaustão.

Para mim, se o bom humor é sacrificado, se a alegria é esquecida, e se não há um mínimo de prazer na discussão, nem que seja o prazer de descobrir o que o outro pensa, então, nada mais tem sentido. O debate sobre religião não leva a nada a partir do momento em que os adversários se portam como inimigos; e, insisto, pode ter muito sucesso se os adversários se portarem como irmãos, pois o afeto é possível entre as pessoas mais diferentes do mundo, assim como é possível entre espécies destinadas ao poético ódio mútuo e irreversível, como é o caso do gato e do cão.

Sinto como se estivesse reforçando ideias óbvias demais, mas a minha insistência é justamente pelo fato de a realidade ser bastante obscura. Tenho visto muitos cristãos impacientes demais e duros além do ponto da correção justa que brota do amor - e eu certamente não sou uma exceção. Mas eu espero que esses breves parágrafos resultem em reflexão, e que a oportunidade de corrigir os erros mais irritantes não seja levada como um duelo até a morte, mas como uma mera chance de diversão.

19 de outubro de 2012

A crença cotidiana #2

Segunda parte do capítulo do projeto que foi abandonado - e-book. Nessa parte o leitor poderá notar, além do conteúdo exclusivo, porções de uma postagem antiga*, publicada originalmente em setembro de 2011.
  • Leia a primeira parte: A crença cotidiana #1
A impressão que eu tenho ao dialogar com algumas pessoas sinceras é que, mesmo se esforçando para agir com justiça, elas acabam ignorando o fato de que a história do cristianismo não pode ser resumida a uma religião que fez vítimas nesse ou naquele evento, mas poderia facilmente ser resumida a uma religião que foi a vítima na maior parte dos eventos que constroem a sua história. Se olharmos cuidadosamente para cada evento e para as suas testemunhas, é exatamente isso que acabaremos por verificar [1]. Creio que não seja possível continuar sem antes falar dessas testemunhas e sobre uma possível objeção aos depoimentos que elas nos trazem. Acontece que algumas pessoas parecem acreditar que, quando se fala de eventos passados há quase mil anos, há uma carência de documentos que relatem o que via os olhos do próprio povo que protagonizou esses eventos – foi isso que senti ao ouvir um dos discursos do sr. Yuri Grecco contra a Igreja [2]. Mas é exatamente o contrário: a abundância é tão expressiva que chega a ser engraçado ver pessoas falando que as histórias inconvenientes de certo período foram queimadas em benefício de um propósito sombrio. E o que é realmente engraçado é a consequência de uma história que sofre com a transformação do papel em cinzas. Se realmente houvesse essa lacuna histórica, como o historiador moderno seria capaz de afirmar qualquer coisa sobre o pensamento e prática de uma época que não consta em nenhum registro? Se realmente não há registros, então não é possível falar em historiadores. Poderemos apenas falar em poetas. Nesse caso, o que se conta sobre a Idade Média terá tanto valor quanto o que se conta nas histórias em quadrinhos. Seria até mesmo injusto tratar as histórias de Andrew Dickson White como tratamos as histórias de Stan Lee, pois as histórias de Stan Lee são muito mais verdadeiras. 

Penso que esse exemplo pode explicar toda essa dúvida que existe ao se falar do passado um tanto remoto, que é também a possível objeção às testemunhas desse passado. Para algumas pessoas, não é que há apenas certa carência de documentos: o verdadeiro problema é a origem dos documentos. Não no sentido de que tenham sido fabricados posteriormente, mas no sentido de que são, muitas vezes, documentos cristãos. O cético não quer o depoimento de um monge, pois supõe que o monge irá manipular os fatos para representar positivamente a instituição que ele defende. O cético pensa que o monge antigo é como o jornalista moderno tentando garantir o seu emprego agrandado um público-alvo. Mas se consultarmos o que diz o monge, veremos que essa preocupação simplesmente não existe. É por esse motivo que pode até parecer chocante o fato de Lutero ter sido um monge católico. O que se vê no relato dessas testemunhas, bem como se vê no caso de Lutero, é que não há uma preocupação em retratar bem ou mal a Igreja: há apenas a preocupação em relatar o que se vê, e mesmo que a visão seja limitada, ela é útil por ser a expressão do que aquela pessoa realmente viu ou sentiu, em vez de ser uma suposição sobre o que pode ou não ter acontecido. Se juntarmos todos os olhares e todos os manuscritos poderemos realmente construir uma imagem próxima do fato, e é exatamente assim que a verdadeira história pode ser preservada da tentação do preconceito e da especulação exagerada. 

No entanto, os livros limitam-se ao preconceito e até estimam o exagero de especulação [3], e as testemunhas permanecem desconhecidas por boa parte das pessoas que mais insistentemente usam a história para condenar a Igreja. E ainda é necessário dizer algo mais sobre a recusa instantânea por parte de algumas pessoas quando os documentos partem desse ou daquele autor, como se fosse absurdo que um autor católico pudesse falar da Igreja Católica por correr o risco de deixar suas convicções pessoais atrapalharem sua imparcialidade. Essas pessoas parecem supor que o ateu tem até mais direito de falar da Igreja Católica por não ter com ela nenhum laço que comprometa as suas conclusões. Mas mera falta de ligação não garante imparcialidade, e se é verdade que o cristão pode tentar beneficiar o cristianismo movido por seu amor religioso, é igualmente verdadeiro que o ateu pode tentar depreciar o cristianismo movido por seu ódio ou desprezo antirreligiosos.


É possível ir mais fundo nessa questão, a fim de que entendamos o verdadeiro motivo de ser uma grande tolice recusar um depoimento por ele vir de alguém que possa não ser imparcial. No caso do que se diz sobre o catolicismo, a verdadeira questão é: não estariam os autores católicos, ao professarem qualquer argumento em defesa da Igreja, fazendo-o mais por buscarem retratá-la bem, que por qualquer compromisso com os fatos? Isso certamente dificultaria qualquer conclusão acerca de determinados episódios e, por isso, há duas considerações a se fazer, antes de qualquer investigação: a primeira, é que um autor não deve ser descartado por suas convicções pessoais. Imaginemos que um alemão e um francês discutirão o seguinte tópico: "Qual país é melhor: Alemanha ou França?". Seria razoável suspeitar que algum deles acabasse hora ou outra fornecendo uma defesa mais puramente patriótica de seu país, que uma baseada estritamente nos fatos sobre os dois países. Mas isso não nos daria o direito de dizer: "Que venha um inglês e decida a questão". A grande tristeza do alemão e do francês seria descobrir que, na verdade, o inglês não sabia nada sobre a Alemanha e nem sobre a França, e isso serviria, no máximo, como argumento contra a Inglaterra. Mas é verdade que o inglês poderia saber mais sobre a Alemanha e sobre a França do que sabiam o alemão e o francês sobre elas: o grande impasse seria saber, então, se um inglês seria capaz de decidir a favor da França em alguma disputa. O que quero dizer é que, inevitavelmente, corremos o risco de uma pessoa agir mais de forma emocional e deixar a objetividade de lado. Mas esse risco é humano e se manifestará em qualquer situação, e bem como o inglês poderia optar pela Alemanha movido por algum ódio cultural à França, o francês também poderia fazer a mesma coisa e pelo mesmo motivo em outro debate. 

Assim, se certo sacerdote polonês diz algo em defesa do catolicismo, deve-se buscar entender se a realidade sustenta aquilo que ele afirma, em vez de se usar aquilo em que ele acredita para descartar a sua defesa. É até muito mais sensato confiar em quem defende alguma coisa porque acredita naquela coisa, do que confiar em quem acusa alguma coisa pelo fato de nela não acreditar. Isso vale para todos, e é por isso que, se alguém quer entender bem a algo, deve buscar entendê-lo como entendem aqueles que acreditam nesse algo. Não se aprende sobre a Igreja Católica dando ouvidos a Andrew Dickson White, pois ele ensinaria apenas algo que nada tem a ver com a Igreja Católica, e me parece razoável que o ateísta suspeitará que não se aprende sobre o ateísmo dando ouvidos a algum padre de sua cidade – ou ao menos dirá que não se entende plenamente o ateísmo dessa forma. Se houvesse algum curioso fazendo-lhe perguntas sobre o ateísmo, suponho que ele preferiria recomendar Bertrand Russell. Mas, para que não se tenha a impressão errada do que quero dizer, esclareço que não estou dizendo que não se deve ouvir o que Dickson White tem a dizer sobre a Igreja, ou que um padre não pode dizer algo sobre o ateísmo: o que estou dizendo é que aprender sobre alguma coisa requer dar ouvidos tanto a quem a ama e quer preservá-la quanto a quem a odeia e quer destrui-la, pois somente assim o curioso poderá confrontar os dois extremos e concluir se quem ama ou odeia aquela coisa o faz por enxergar nela um fato amável ou odiável, ou se ama ou odeia aquela coisa apesar dos fatos amáveis ou odiáveis sobre ela. O que mais tenho notado sobre algumas pessoas que parecem curiosas é que elas quase nunca são curiosas o bastante, e isso explica praticamente todos os equívocos que elas cometem ao lidar com alguns desses problemas. Pois é verdade que há o cristão que crê no cristianismo por pura covardia de questionar-se e descobrir-se sozinho em um mundo carente de amor divino; mas também é verdade que há aquele sujeito que não crê no cristianismo por pura covardia de dar a ele uma chance e descobrir-se incapaz de negá-lo honestamente. 

A segunda consideração é a seguinte: assim como o alemão desconfia do julgamento que o francês faz sobre a França, também o ateísta pode desconfiar do julgamento que o católico faz sobre a Igreja Católica; mas é necessário imaginar a cara do alemão caso descobrisse que o inglês escolhera a França: ele certamente desejaria saber o que há na França de tão especial. Digo, pois, que no caso da Igreja Católica, para a triste alegria do alemão, não é só com o depoimento do inglês ou do francês que ele pode contar, mas com o irlandês e até mesmo com o chinês. O ateísta pode e deve desconfiar do que os católicos têm a dizer sobre a Igreja Católica, mas se ouvir o que os judeus têm a dizer sobre ela, ou os protestantes, ou os próprios ateus, ele terá dado seu primeiro passo rumo à construção de um consenso – que a princípio pode ser histórico ou anti-histórico. É assim que se descobre se há um fato amável sobre algo, ou um amor que ignora os fatos; e essa descoberta precisa estar em harmonia com a realidade. Bem como Sócrates Escolástico podia falar sobre a Igreja de sua época por ter vivido aquela época [4], também os judeus podem falar sobre a Igreja da Segunda Guerra, pois eles estavam lá. Nem todos os judeus estavam lá, mas alguns estavam, e é a eles que podemos emprestar nossos ouvidos [5][6][7][8]. 

Quando Richard Dawkins sente que a temperatura ambiente é capaz de ferver uma boa sopa de legumes, fala da Igreja e do nazismo como se Hitler e Pio XII fossem praticamente compadres [9]. Richard Dawkins é ainda mais problemático que Richard Carrier. Ao menos o segundo prestou-se a investigar alguma coisa. Eu não sou capaz de dizer qual dos dois demonstra maior apresso por polêmicas, mas sou capaz de dizer exatamente por que são polêmicas vazias. Dawkins repetiu diversas vezes que Hitler era católico por nunca ter renunciado ao batismo e por nunca ter sido excomungado pela Igreja. Mas ele parece ter a mente bastante limitada para sequer entender o que é uma excomunhão. Ele certamente nunca consultou o Direito Canônico. Parece que nenhum de seus leitores devotos o fez, e é por isso que eles se sentem até empolgados ao aplaudir algumas de suas declarações em alguma praça inglesa, em protesto à visita do Papa. De certo modo, Richard Carrier tem mais cautela e é até mais interessante: mas ele ainda precisa de algo sem o qual todas as suas ideias não podem resistir: novamente, trata-se do bom senso, pois ele certamente não percebe que mesmo suas ideias mais banais são completos absurdos. Lembro-me de seu artigo em que trazia ao leitor o resultado de suas investigações acerca do controverso Hitler’s Table Talk [10]. Lá ele denunciava as alterações de algumas traduções da obra e explicava o que o livro realmente dizia. Não se vê ali um Hitler anticristão: se vê, de fato, um Hitler lunático. Para Carrier, mesmo após toda a loucura, ainda se vê um Hitler católico, e o que fica evidente é que, assim como Richard Dawkins, ele sequer entende o catolicismo. Segundo os resultados de sua própria investigação, Hitler acreditava em um Cristo Ariano, desprezava o Apóstolo Paulo e repudiava como loucura o conceito da transubstanciação. Mas ele não vê, nisso tudo, algo que levante entre Hitler e o catolicismo a mínima contradição. 

Esse é exatamente o tipo de pessoa que condena a luta católica contra os hereges sem ao menos saber o que é uma heresia. Carrier está, em relação à Dawkins, mais familiarizado com a história, já que é um historiador: mas estar mais familiarizado com a história do que está Richard Dawkins não é necessariamente uma vantagem.  No fundo, nenhum dos dois pode dizer o que realmente aconteceu, no sentido de que nenhum dos dois é confiável: a ignorância é diferente, mas causa praticamente a mesma cegueira. Especialmente a cegueira de Carrier ficou muito clara, ao menos para mim, quando recomendou o filme Agora, de Alejandro Amenábar, em uma de suas palestras contra o cristianismo [11], em que disse que o filme era historicamente acurado e que quase o fez chorar. Não duvido que Agora seja capaz de fazer uma pessoa chorar, assim como estou certo de que é capaz de fazer uma pessoa gargalhar. O mesmo pode ser dito da avaliação de Carrier sobre o filme. De qualquer forma, deixarei outros comentários para outra oportunidade. 

Se as pessoas buscassem consenso entre autores, em vez de consultar apenas esses autores polemistas, que ou são cegos ou são obscuros, então teríamos a condição necessária ao entendimento da história: falo, novamente, de dar ouvidos aos olhos, sem que se esqueça, porém, dos lábios. As imagens podem registrar um momento marcante, mas somente as testemunhas e os relatos podem dar sentido ao momento e explicar porque ele foi marcante. Uma pessoa que é justa sobre a Igreja pode garantir muitas coisas sobre sua história: pode garantir que houve resistência e que houve traição; que houve fraqueza e que houve coragem; que houve fé e que houve desespero - e não há nada de surpreendente nisso tudo. Ninguém pode, porém, dizer que a Igreja, que por vezes parece um navio afundando, tenha realmente afundado ou perdido a esperança de encontrar terra firme. Não só ela encontrou terra firme, como também não hesitou em trazer naquele navio duvidoso uma tripulação que em nenhum outro lugar encontrou ajuda para superar as ondas cruéis de um mar impiedoso. Aquela tripulação não fez outra coisa senão agradecer por aquela imensa generosidade. Mas quem já estava na ilha, em segurança, quem não acompanhou o drama da tempestade olha para o navio e imagina que ele provavelmente não fez nada. À medida que a tripulação desaparece, também desaparece a gratidão. Enquanto duas ou três pessoas tentam falar sobre as glórias e importância do navio, os indiferentes veem nele apenas algo sem beleza e que ofusca a beleza do que o cerca. Não importa o que digam, será sempre um velho navio que por pouco não naufragou e que já não tem utilidade.

Esse é exatamente o julgamento que os modernos fazem do navio. Olham para o casco destruído, mas não imaginam o capitão ou a trajetória, nem distinguem os leais e os traidores. Não consultam os tripulantes, mas consultam os jornalistas, que apareceram muito depois de a âncora tocar o chão e congelar o tempo, como moscas que só vão até o cadáver quando o odor do corpo já é muito forte. Trata-se de olhar para a foto sem perceber que uma imagem não conta uma história. Trata-se de olhar para a história como se ela não fosse uma aventura no tempo, mas uns poucos retratos congelados. Minha avó sabe que seus retratos não revelam os segredos da infância, a alegria do casamento ou a felicidade da família. Mas os que são chamados céticos parecem não saber que o retrato diz muito pouco, principalmente para quem não sabe o que houve antes ou depois daquela fração de segundo.


Notas:
*Challenge Accepted, 3 de setembro de 2011: caosdinamico.com.

Referências:
  1. Eu apenas imagino a reação de alguns ao ler tal afirmação, mas o cristianismo passou os primeiros séculos sendo perseguido pelo Império Romano, e mesmo após ter crescido foi vitimado em diversos episódios de diferentes períodos e lugares - França, Espanha, México, por exemplo. Mas o mais notável é o fato de ainda hoje pessoas serem perseguidas por causa da fé cristã, como se pode perceber na China comunista ou em vários países teocráticos islâmicos.
  2. Eu, Ateu, 29 de agosto de 2011: A Igreja Católica era boazinha.
  3. Por "livros" não me refiro aos livros de historiadores que discutem a fundo cada pequeno evento histórico, levando em contas as fontes originais e o que outros historiadores afirmam sobre esses eventos; me refiro aos livros populares e ao desserviço que prestam à verdadeira História. Livros didáticos parecem tender à abordagem popular e ignorar a abordagem acadêmica, o que é no mínimo irônico.
  4. Sócrates de Constantinopla, historiador cristão, autor de Historia ecclesiastica, obra em que relata, por exemplo, o caso de Hipátia de Alexandria - filósofa assassinada por um grupo de cristãos, no século V.
  5. Há livros com depoimentos de judeus sobre o Papa Pio XII e a atitude da Igreja em relação ao drama sofrido pelos judeus sob o nazismo: Defamation of Pius XII, de Ralph McInerny; The Myth of Hitler's Pope, de David G. Dalin, e Did Pope Pius XII Help the Jews, de Margherita Marchione, por exemplo. O primeiro e segundo exemplo são respostas diretas a Hitler's Pope, de John Cornwell.
  6. A Pave the Way Foundation tem feito grandes esforços em esclarecer a figura de Pio XII e seu comportamento em relação aos judeus e nazistas. Eles compilaram pilhas de documentos, promoveram simpósios e publicaram um livro, Pope Pius XII and World War II - The Documented Truth, do judeu Gary Krupp, disponível em amazon.com. Também produziram um vídeo narrado sobre o assunto, que exibe vários documentos, como cartas escritas à mão: Pope Pius documents.
  7. No Google News Archives há uma publicação do The Milwaukee Sentinel, 22 de março de 1937 - antes mesmo da Segunda Guerra Mundial -, em que se lê: "Nazistas denunciados pelo Pio como anticristãos". A página completa pode ser acessada aqui: news.google.com.
  8. Mesmo O Globo atentou recentemente para o problema, em um artigo intitulado "A misteriosa relação do Vaticano com Hitler", 17 de março de 2012, de Graça Magalhães. Nele lemos: "Novos estudos revelam que Igreja teria sido sempre contrária ao nazismo, mesmo quando silenciou". A página completa pode ser acessada aqui: slideshare.net.
  9. "Protest the Pope" Rally, 18 de setembro de 2010: Richard Dawkins' speech at Protest the Pope march.
  10. Richard Carrier, em Freedom From Religion Foundation, On the Trail of Bogus Quotes, novembro de 2002. Disponível em ffrf.org.
  11. Richard Carrier, Early Christian Hostility to Scientific Values. A palestra está disponível no Youtube, dividida em oito partes: Richard Carrier on Early Christian Hostility to Science.

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